Não sabia como definir aquele sentimento de fim de tarde,
aquela ausência ressonante ao redor da casa.
Queria montar as peças e ver o todo, mas sempre faltava algo...
Então preenchia com memórias.
E risadas.
Diálogos imaginários.
Abraços inventados.
Sentia vontade de chorar e se esconder dentro de si.
Buscar abrigo naqueles fins de tarde passados,
ou dias de chuva, com ruas barulhentas, lojas lotadas,
e voltar pra casa e ficar em paz.
Não sabia como, mas queria congelar aqueles dias,
pois desde então já tinha consciência de que seriam tão breves,
e que um dia, esquecidos na poeira do tempo, se perderiam para sempre.
Então pensou sobre como cada segundo era precioso. E não deixou de ter saudades do futuro,
mas passou a valorizar muito mais o presente que recebera.
Foto de Dollar Gill na Unsplash
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