JOSUÉ:
No rastro de neon, chuva de ácido,
eu era só um vulto, um erro tático,
a mira travada, o sistema em choque,
fugindo da rede, sem dar nem um toque.
"Josué no aviso, preço na cabeça"
Mas Pedro me achou nessa cidade imensa.
A nossa conexão não era fibra nem metal,
era carne e osso, um brilho visceral,
meus crimes eram lenda, hoje são só cinza,
com tua mão na minha, o medo se dissipa.
Pedro você é a falha no meu script,
onde a redenção finamente existe!
Não troco o teu abraço pelo lucro mercenário,
quando estou contigo esqueço a sombra no meu passado.
Amor improvável em meio ao caos,
agora somos nós, reais, não virtuais!
Despi o ódio, me despluguei,
a lei do asfalto, ignorei.
Pedro me ensina a não ser mais vilão,
a tirar o dedo do gatilho da solidão.
Deixei o submundo e os olhos de vidro,
viver esse amor é o meu novo perigo.
Fugir com você, cruzar a fronteira,
ser de verdade a vida inteira!
Procurado? Não mais.
Perdido? Me encontrei!
Josué e Pedro enfim em paz!
O amor é a arma que eu nunca usei!
O sistema falhou em nos matar,
a gente se vê na estrada, Pedro,
pra nunca mais voltar.
PEDRO:
Vi o sinal tremeluzir na tela escura,
um erro de sistema, sua face na fissura,
procurado em toda parte por crimes sem perdão,
mas encontrei o humano sem máscara e o metal no chão.
Quebrei o firewall para ver além,
Você fugia de si mesmo também.
Eu sou seu porto Josué, chega de correr,
deixa o mercenário em você de uma vez morrer,
o código travou, o destino nos uniu,
nesse peito sujo o amor enfim floriu.
É uma falha é um bug, a nossa salvação,
o meu amor por você é a contrassenha do seu coração!
Apaguei os rastros, mudei seu nome no servidor,
Apontei a trilha de sangue para quem encomendou.
Como eu posso te julgar? Você teve que sobreviver,
vi a criança nos seus olhos antes de adormecer.
A cidade te caça mas eu te guardo aqui,
o mundo lá fora não viu o que eu vi.
Eles dizem que o monstro não pode mudar,
mas o toque da sua mão veio me salvar.
Esquece o passado, esquece a prisão,
o futuro é a chance da redenção.
O sistema falhou em nos matar,
a gente se vê na estrada, Josué,
pra nunca mais voltar.
Foto de Jakob Rosen na Unsplash

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