Intempestividades anuais celebram a precipitação torrencial da tormenta que se abate sobre nossa tempestade sináptica.
Devido a dados extraviados temos portanto as informações precisas de suas próximas aparições.
Uma escuridão se sobressai nas sombras.
Tememos perder o controle temerário dos comandos previamente programados.
Somos o resultado aleatório de explosões cósmicas movimentando-se no vazio.
Poeira na vastidão supostamente infinita.
Química e física.
Quânticas verdades, crenças mentirosas.
O universo é o que pensamos, estamos dentro de nós mesmos e contemplamos toda a criação.
Tudo o que existe, existiu e existirá, encapsulado em um sistema de pensamentos evolutivos precários transmitidos aos que vierem além de nós.
(Não existe "além de nós"). Mas existe o está por vir no pensamento dos próximos a chegar.
Individualmente somos tudo o que é preciso ser, e querer mais do que isso é um grande delírio.
"Uma neurose coletiva". (Freud)
Se pudéssemos apenas não nos machucar e não machucar os outros nesse breve período de existência...
Apenas a arte salva.
Só a arte proporciona propósito.
De onde viemos e para onde vamos é o mesmo resultado.
Onde estamos agora é o grande mistério.
Por que procurar tão longe onde não há nada?
Criemos, pois esse poder nós temos, uma existência boa, livres da escuridão além das sombras, (não o vazio inexorável), mas a maldade enraizada em nossas vidas. (O quão difícil é se manter positivo...)
Não é crível desperdiçar esse raro fenômeno sendo infelizes, mas é o que fazemos. Embora tentemos combater tal atitude, apesar de toda a conjuntura que nos rodeia em diversas formas.
Tudo é nada.
E esse nada é o que nos resta.
Minerais penetrando nossa carcaça orgânica.
Oxigênio e H2O
E tantas outras propriedades.
As pedras não choram como nós, mas também não sonham. Elas não amam. (ou estarei enganado?)
Duvidar de tudo é importante, mas não de forma a manipular outras presenças.
Sejamos felizes então?
Eu sei, não é tão simples. Poderia ser, mas não é.
Vivamos então.
Solitários num universo vazio, conectados a outros como nós.
Somos capazes de criar coisas bonitas nesse breve tempo de existência.
Que a arte nos perpetue.
Que a arte nos dê propósito.
Que a ciência nos liberte.
Pelos que vieram antes e pelos que estão vir. E pelo que aqui estão.
E sobretudo, por nós.
Deixemos brilhar a luz que dissipa as trevas.
Por hoje, por agora.
Por nós.
Ilustração de Marek Studzinski na Unsplash
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