l'enfer gay (ironie)

 


Eu tomo meu assento no banquete do inferno,

eu como a carne apodrecida das lembranças velhas,

velhos fantasmas que me aborrecem,

e bebo seu sangue em ceia, 

santa, amarga e cáustica,

sua essência de dor e pesadelos,

delírios e receios,

inseguranças e maledicências. 


Eu cuspo no prato de ossos,

palavras malditas a mim proferidas,

eu quebro a taça de vidro,

os olhares de ódio a mim dirigidos,

eu mordo os diamantes na parede,

a violência a mim infringida.


Eu sinto a sua fúria, 

ela queima minha pele,

ela mata minha alma. 


Então vem a sobremesa. 


Descarrego a cólera,

carne com carne,

liberamos nosso líquido,

o pecado me acalma,

nosso gozo é o que desejam

e nunca desfrutarão. 


Estou em paz.

Os olhos fechados. 

Foi tudo um grande sonho. 


Nós nem existimos. 


Foto de lhon karwan na Unsplash



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