POESIA

 


Poesia para desorientar,

eu que não sou poeta,

e tão pouco lúcido,

por isso mesmo me atrevo.

 

Para entortar,

sem métrica, sem rima,

assim mesmo, sentes?

 

Para entorpecer,

desgastar os sentidos,

jorrar o mau agouro,

e esvaziar o vazio.

 

Para deslindar,

esfregar a verdade nas nossas caras,

sujar nossas mãos de barro,

e ralar nossos joelhos no asfalto. 

 

Para um triste ser,

desentristecer,

no âmago vago da vida,

vagar sem rumo,

e se achar no ato de se perder.

 

Para nos consolar,

dos sentimentos profundos,

que corrompem, desviam,

vastos a nos abraçar.

 

Para exorcizar,

o demônio que somos em nós,

e iluminar o que sobrar.

 

Para libertar,

mostrar o caminho,

mudar a mente,

e envenenar o perverso coração. 

 

Para me dizer,

que a dor existe,

ela faz de mim o que preciso ser,

para ter forças para lutar.

 

Para quem não sabe da poesia.

mas sente que algo falta,

que busca o que o impulso ordena,

que se entrega aos prazeres,

que se oferece ao sacrifício.

 

Para sofrer,

sofrer o não sofrer,

entender os nuances da angústia,

embriagar-se de seus devaneios,

e recomeçar.

 

Para sangrar,

rasgar a carne,

estilhaçar a alma,

e transcender,

e transgredir.

Para morrer,

Mil mortes poéticas,

desamores perdidos,

escárnio e sarjeta.

 

Para viver.

Infinitas vidas poéticas,

Amores em vão,

luxúria e contentamento.

 

Para desanuviar

acalentar o tormento,

procurar uma resposta,

tentar sobreviver.

 

Poesia.

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