A CARNE DO DESEJO

 


Como se mata o desejo

Enraizado no peito,

Pulsando em delírio?

 

Teremos auxílio?

 

Desfaz-se o estrago

Do gosto causado,

Por tal malefício?

 

E o que trago comigo?

 

Caberá efusivo

Se de dentro de mim,

Espremer esse anseio

 

E retorcer?

 

 

 

E torcer pra passar

E passar sem sofrer,

Saindo ileso

 

Desatados os nós?

 

E quem seremos nós,

Amarrados a vontade

De estarmos sós?

 

Eles, eu e vós.

 

Ficaremos à vontade

Gozaremos da vaidade

Com o sentimento atroz?

 

Lidarei com o anseio?

 

Se tudo é como vejo,

Me cabe o receio,

Do olhar alheio.

 

Permeando em nosso meio.

 

Amargo coração

E o que é o desejo

Senão destruição?

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