Numa espessa noite escura,
pesada a chuva caía,
e sozinho em sua morada,
uma criança se escondia.
Um rebento tão pequeno,
de esguia anatomia,
se encolhia num cantinho,
muito frio ele sentia.
Quanto tempo lhe restara?
Quanto tempo lhe cabia?
Com medo, mal respirava,
e lhe abraçava a noite fria.
A mercê da escura noite,
abandonado a própria sina,
agitado e ofegante,
só sussurros se ouvia.
De repente, fora do quarto,
uma sombra se movia,
se aproximando de assalto,
tal terrível noite fria.
Até que sem mais temer,
decidiu então revidar,
se lançou sem esmorecer,
pelo assoalho a trepidar.
Um arrepio ele sentiu,
num segundo interminável,
estupefato pelo que viu,
era algo inominável.
Ao ver imagem tão sórdida,
quase não acreditou,
que existisse figura tão pálida,
que para ele também olhou.
E de uma fresta pela porta,
a sombra se apresentou,
sua esperança estava morta,
"esse é o meu fim", ele pensou.
Mas era seu pai que ali chegava,
e sua mãe logo em seguida,
com um pesadelo se preocupara,
e com os sussurros que ouvira.
E em seus braços adormeceu,
tranquilo e confiante,
tanto que até se esqueceu,
que era órfão aquele infante.

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