Eras apenas luz radiante e risos, lembras? Não conhecias o conceito da maldade.
Quando percebeste pela primeira vez, ainda em coração aberto, que ao oferecer o teu melhor recebeu em troca apenas indiferença? E mais à frente, quando fora agredido, segregado, traído?
De tudo o que lhe afligiu, o que feriu-lhe o âmago a ponto de roubar-lhe a doçura? Te lembras do dia e hora exatos? Ou fora a junção e o acúmulo de tanto desgaste?
E depois de atacado, quando passastes a ser aquele que feria por antecipação? Sentes agora essa inquietude... Roubaram-lhe o silêncio, sequestraram sua paz. Por que perturbam a calmaria do rio, gerando em ti essa chama que arde em teu cerne, compelindo-o a gritar primeiro?
Qual insatisfação murchou teus sonhos? Foi quando desprezaram tua esperança? Quem entre teus amigos lhe amargou com a decepção mais cruel? Que trauma deformou tua gentileza? Quanto desprezo foi preciso até se dispersar tua bondade?
Por instinto agora te vês na ofensiva, tal qual animal acuado, sem culpa ou remorso.
A luz se tornou cinza, e gradual desvanece.
Um abraço sombrio o aguarda, e nele sentes até mesmo um conforto solitário.
O que matou tua inocência?
Ainda te lembras?

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