Caminhou pela mansão arruinada, com seus móveis despedaçados, os cômodos escuros, as paredes tomadas pelas manchas abstratas de infiltrações conjurando expressões de dor e loucura.
No beiral da varanda, olhou para baixo e viu o lago vermelho que borbulhava com ossos e restos decompostos de incontáveis cadáveres.
Sabia que era preciso se jogar daquela altura indo direto ao lago, pois só assim poderia perdoar todos os males que lhe foram impostos.
“Eu posso pular” pensou. “Isso é só um sonho. Nada de
mal vai me acontecer”.
Mas era mesmo um sonho? Depois de tudo o que vira, depois de
todas as situações bizarras pelas quais passara, não era possível ter
mais nenhuma certeza sobre nada.
Ainda assim, confiante de que era a coisa certa, se
jogou de costas rumo ao lago sangrento, sentindo sua pulsação acelerar, o medo
e a adrenalina tomando seu corpo, e se nada mais fosse, aquilo ao menos era
real.
Caiu no lago, e constatou com surpresa que estava bem. Afastou
os cadáveres de seu caminho e retornou à mansão.
Logo ao entrar, viu que tudo estava diferente. Parecia outro lugar. Tudo estava limpo, arrumado e iluminado. Era como se as
paredes fossem feitas de ouro e luz do sol. Caminhando pelos corredores impecáveis,
se deu conta de que havia enfim perdoado todos os que lhe fizeram mal.
Finalmente poderia ser feliz.

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