Levado a acreditar que nunca poderia sair,
desde sempre preso nas torres cercadas pelos labirintos de sua infância,
ouvira os gritos destemperados de dentro ao ousar se aproximar da saída,
fazendo coro aos uivos do lado de fora.
Como lhe fora ensinado recuava,
Embora a cada dia a maturidade lhe alcançasse,
como quem desesperadamente,
lhe vem entregar uma mensagem.
"O mundo é muito maior do que essas ideias minúsculas. As pessoas são muito mais do que ferramentas de produção, e o medo e a culpa só podem dominar aqueles que as cultivam"!
Será que tanto fora perdido,
em meio ao breu do conhecimento,
imerso em preconceitos,
na cegueira dos que só enxergam a si mesmo?
Não! Ele gritou, por um momento,
e o eco de seu grito invadiu os salões branquíssimos,
ressoando aos ouvidos de seus carcereiros.
(Ou seriam eles mesmos apenas outro tipo de prisioneiros?)
O mundo não precisa ser assim, ele lhes disse,
podemos viver em paz,
num mundo onde hoje enxergamos inimigos,
podemos passar a ver irmãos!
E foi rechaçado!
"Se quer tanto, vá viver suas loucas ideias em outro lugar!"
E foi assim expulso do paraíso onde nasceu enjaulado,
mas criou asas e partiu rente aos uivos.
Houve perigo, sim, e outros tipos de maldade.
E uma imperfeição suja, e palavras feitas de lâminas,
mas
mas
houve um tempo de encontro com outros que como ele,
descobriram embora tardiamente,
que nunca é tarde para mudar o que se pensa,
e sempre é certo evoluir o espírito.
Quebrou em êxtase a casca com a qual lhe moldaram,
descobrindo seu verdadeiro eu.
Sem padrões. Sem máscaras.
Apenas atitudes. Sentimentos. Aprendizado.
Estabelecido nesse novo mundo torto,
cheio de pessoas das mais diversas,
entendeu a mensagem que lhe fora entregue.
Somos todos iguais em nossas diferenças.
O que nos une é a compreensão de que não temos o controle sobre as vontades alheias,
e nem devemos ter.
Cada ser vive a sua história.
Podemos ser parceiros, amigos e amantes.
Mas nunca senhores de suas vontades.
É preciso deixar florescer o que temos de melhor,
sem medo, culpa ou vergonha.
Convicto sobre essas verdades, voltou para casa, não para regressar à sua vida anterior.
Ele queria fazer sua antiga família entender o que lhe fora revelado.
E ele ouviram.
E criaram suas próprias teorias para convencê-lo de que estava errado,
já irremediavelmente condicionados dentro de todas aquelas camadas de cera.
Ou talvez alguém entre eles considerasse, quem sabe.
Ele não tinha certeza, mas não podia ficar esperando.
O mundo clamava.
A vida é breve.
E precisamos aproveitar cada segundo nela.
Sendo o que fomos feitos para ser.
Amáveis.
Bondosos.
Gentis.
Generosos.
Livres.
Felizes.

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