Que silêncio!
Em meio a rubros gritos,
Surdo e cego,
Meu corpo se move,
Sem vontade,
Letárgico.
Dentro da névoa tateando os cacos,
Recolhendo fragmentos de esculturas e
Histórias.
O que foi quebrado não voltará.
Perambulo a vastidão úmida e branca,
Dos pensamentos enevoados,
Me perco entre o passado e o futuro
E meus pés não tocam o agora.
Os passos me seguem de volta,
Que arrepio triste o dessa saudade!
Mas quando o sonho se revela com fracasso,
Qual caminho não me leva a perdição?
Tão frágeis peças de vidro,
Cortam meus pés, tingindo o assoalho,
Procuro sentido em meio ao pesadelo,
E me pergunto,
Como pude estar tão errado?
Qual face oposta agora se mostra,
O amor de antes envenenado,
Corrompido pela insegurança líquida,
De um espírito devassado.
Há de ser mentira,
Que a verdade nunca erra.
E as pessoas não se sabotam,
Insistentes perseveram.
Mas não.
Nada é para sempre.
E o agora me condena,
E me pede pra ficar,
Insolente, augusto e perene.
Amanhã não sei dizer,
O quanto de mim restou,
Aquela força já não é igual,
Mas estou aqui,
Mas aqui estou.

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