Sentidos

Ando tão sem gosto pela vida,
Sem olfato para o dia,
Sem tato pra mais nada.

E meus ouvidos surdos não enxergam meus lamentos

Ando tão sem paladar pras cores,
Sem prazer pro que é divino,
Ando tão sem vontade,

E a vontade é a minha escravidão.

Ando tão insosso aos sonhos,
Sem sono, tanto faz dormir,
Ando tão só pelos cantos,

E o meu canto já não tem nenhuma voz.

A minha alma vaga,
O meu corpo já não tem nenhuma direção,
Eu estou só e à deriva,

Estou livre de qualquer emoção.

E dessa dor, esse vazio,
O pior de tudo, o meu medo,
É de simplesmente não me importar.




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