Tê-lo

Em teu corpo meus olhos encontraram paragem involuntária,
Desejo incontrolável, forjando em mim essa atração imprópria mas tão
Aconchegante e familiar que até poderia jurar que não é de fato escandalosa
E que não me remete aos confins obscuros onde os depravados habitam
Pois envolto em sujo sentimento, meu coração implora um lampejo de esperança
A qual possivelmente lhe será negada nessa vida, onde será julgado e condenado pelo
Mau agouro de amar errado de um jeito certo, a pessoa certa na vida errada.

Então a quem devo prestar conta pelos meus atos?
Poderei ser forte e suportar o preço ou me acovardar em conforto
Sem nunca saber se poderia tê-lo ao menos uma vez
E saber se também sentira o pulso acelerar ao mero toque
A alegria ao som de sua voz,
E o pesar ao vê-lo sair de minha presença?

Serei eu o traidor, ou é o coração que trai?
Estou fora de mim, arriscando minha alma pelo quê?
Que feitiço é esse que me toma, que febre é essa que ataca?
Qual luxúria me mantém entorpecido
A ponto de me perder de mim?

Preso em sonhos secretos
Eróticos e românticos, dosados e medidos em quantidades
Exatamente iguais, obtendo assim um elixir afrodisíaco de
Pura felicidade, satisfação,
E desgraça, ao acordar molhado em suor; pegajoso e excitado
E descobrir que nada fora real.
Por qual crime estou sendo punido?
Quão cruel deve ser minha remissão?
Estou isolado de minha moralidade,
Sei bem da culpa que carrego
Mas o quero tanto, tanto

Tanto que dói, que me rasga o peito,
Que me faz sentir menos que humano
E ao mesmo tempo o mais feliz dos homens
Contradito e desgraçado
Sigo minha sina

De amar e pensar se será possível ser amado.


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