Sonho como tinta negra sobre a tela branca.
Borrões de devaneio ondulam pelo vazio e estou em
todos os não lugares que um dia serão imaginados. As cartas rasgadas se
remontam como um quebra cabeças reverso. A imagem que revela é pintada com a
mesma tinta preta. Um espelho. Toco sua face, minha mão é a chave que o
destranca. Então adentro o infinito oposto de seu interior. Vejo tudo o que
haveria do outro lado, mas ao inverso. Como uma sombra que imita o molde, como
uma imagem refletida em um lago. Mas a imagem ganha vida e descubro que eu é
que era o reflexo.
Meus dedos estão sujos de tinta. Ela escorre pelas
minhas unhas criando novos mundos abstratos. As pessoas que me olham com
espanto estão sonhando. Estou no sonho delas ao mesmo tempo em que sonho o meu
próprio? Existe uma porta que conecta os sonhos? Não... não uma porta. Um
espelho.
Um espelho d´agua em um lago negro de tinta.
A tinta que compõe os sonhos.
A própria tinta da
criação.
Comentários
Postar um comentário