Um grão de universo.





Eu posso aceitar...

...e me esquecer que sou matéria se desfazendo no ar; pensamentos e desejos em vão alterando o rumo do caos e marchando irremediavelmente de volta à matéria prima que vim. E quando no pó das estrelas chegar, me espalhar em lágrimas cadentes de uma noite qualquer no universo; corpos celestes a cair vertendo saudades e contentamento.

Eu poderia até acreditar no amor, se ele soubesse me enganar. E me fizesse perder-me em sonho. Morrer não seria opção, pois estaria ausente de carne, em inexorável estado de graça, simultaneamente vasto ao infinito e simples como um grão, compondo o que quer que seja o que virá.
Do esquecimento até o início, ao ponto de quase nem ter existido. 

E ainda assim ter feito toda a diferença.







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