Pequena lição

Não somos fortes.

Por dentro da carapaça impenetrável, do coração de pedra, das palavras afiadas, de nosso ego, nossas fantasias, nossas noções da verdade, da realidade, do certo, do errado, da sanidade e da moralidade...

Não somos fortes.

Nós resistimos. Aguentamos o tranco. Lutamos com todas as nossas forças. Enfrentamos o inimigo de frente. Sangramos e fazemos sangrar. Vencemos.

Mas não somos fortes.

Somos todos crianças, bebês prematuros, em busca de atenção, em busca de aprovação.
Queremos ser aceitos. Queremos ser amados. Mas ainda estamos engatinhando. Mal aprendemos a falar. Ainda temos muito o que aprender, muito o que amadurecer.

Porque na verdade, não somos fortes.

Somos eventos temporários.
Somos uma ilusão de nosso próprio universo imaginário.
Somos pensamentos e atos desnecessários.
E raramente alcançamos algum objetivo realmente grandioso.
É triste constatar, mas nós não vamos mudar o mundo.
Vamos mudar só aquilo que podemos.

Pois não somos fortes.

Outros virão e derrubarão nossas construções.
E depois deles, novos indivíduos colocarão tudo no lugar novamente.
Com coragem, com determinação, com vontade. Com medo. E mesmo apavorados, seguindo em frente. Em busca do que nos satisfaz. E até mesmo alcançando nossos objetivos.
Ou fragmentos deles.

Mas embora tenhamos o poder de construir plataformas na Lua e destroçar corações,
não somos fortes.

Somos pequenos e frágeis.
E egoístas e mesquinhos.
Não queremos ficar sozinhos.
Não queremos estar errados.
Não queremos admitir que não somos fortes.

Ainda temos muito o que aprender. Muito o que amadurecer.
Nós seguimos em frente. E mesmo apavorados, lutamos.
E até podemos vencer.

Ser forte não é importante.


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