Tentou separar-se em vários,
Mas esqueceu-se que,
Armazenando sentimentos em tubos de ensaio,
E personalidades em caixas de vidro.
Cansou de acordar e perguntar-se quem era,
Decidiu domar suas versões interiores,
Cantar gracejos para o sol
E ser triste em dias de chuva.
Tentou perdoar quem lhe machucava,
E amar quem lhe disse que não.
Amar com divina despretensão os que lhe rodeavam,
E acomodar-se dividido em suas caixas,
Sorrindo como quem troca de gravata,
Intolerante como quem decide a cor de suas meias.
Apático em meio a solidão.
E esquecer-se de quem era no inicio,
Se é que havia alguém lá.
Ser todos e nenhum.
Deixar de ser vitima das faces em si,
E vesti-las como quem empunha uma armadura.
Tentou,
Tentou,
Mas esqueceu-se que,
Só eu desperto a sua santa fúria.
Só eu aqueço seu prazer secreto.
Só eu conheço sua maldade egoísta.
Só eu contemplo sua supérflua caridade.
Só eu entendo sua dor.
Só eu existo em cada mudança de temperatura.
Só eu estou sempre por perto.
Desvirtuando.
Guiando.
Acalentando.
Atiçando.
Meditando.
Provocando.
Só eu e apenas eu.
Que são vocês em mim.
Que sou eu em vocês.
Eu. Eu. Eu. Eu. Eu. Eu.

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